O poder de dar forma ao mundo: celebração ao Dia do Artista Plástico
Muito além da estética, a arte plástica é o reflexo do tempo em que se vive. No Dia do Artista Plástico, destacamos o trabalho de sete artistas brasileiras essenciais para compreender as novas narrativas visuais do país.
Por Eufrasia Neres
07|05|2026
Alterado em 08|05|2026
Dar sentido e forma a materiais, transformando o bruto em sensível, é uma das habilidades mais ancestrais da humanidade. Quando falamos em artes plásticas, estamos nos referindo a esse universo vasto onde a pintura, a arquitetura, a escultura, a arte têxtil e a gravura se encontram. É o campo onde o artista manipula a matéria para tornar tangível o que, antes, era apenas abstração.
Mais do que a busca por uma estética, as artes plásticas são um meio vital para desenvolver a expressão imaginativa e as ideações. Elas funcionam como um espelho e, muitas vezes, como um martelo: servem para refletir o tempo em que vivemos, mas também para quebrar conceitos e ressignificar contextos políticos e sociais. É a visão de mundo de quem cria, oferecendo novas lentes para quem observa.
A origem da data
A escolha do dia 08 de maio para celebrar o Dia do Artista Plástico no Brasil é uma homenagem ao nascimento de José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899). Ele foi um divisor de águas na nossa história da arte ao levar para as telas o cotidiano do homem comum e do “caipira”, rompendo com a rigidez dos padrões europeus e ajudando a construir uma identidade visual genuinamente brasileira.
Curadoria do Nós: artistas que transformam a matéria em pensamento
Para honrar essa tradição de transformação, preparamos uma seleção de artistas contemporâneas que todos deveriam conhecer. Elas utilizam suas obras como ferramentas de memória, resistência e reflexão sobre seus territórios e o nosso tempo.
Daiara Tukano(1982, São Paulo)

Artista do povo Yepá Mahsã (Tukano), Daiara (Duhigô) não apenas pinta; ela manifesta a espiritualidade e a cosmologia do Alto Rio Negro. Sua obra é uma extensão do pensamento originário, utilizando o direito à memória como base de sua pesquisa. Ao ocupar espaços como o MASP e a Bienal de São Paulo, ela rompe o silêncio histórico e reafirma a presença indígena na arte contemporânea global. Dentre suas conquistas do Prêmio PIPA Online 2021 e o Prince Claus Seed Awards em 2022. Suas obras integram acervos de prestígio como o MASP, a Pinacoteca de SP e o Museu delle Civilità em Roma.
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Rosana Paulino (1967, São Paulo – SP)
Referência fundamental nas artes visuais, Rosana utiliza elementos do cotidiano – como fios, agulhas e tecidos – para expor as sutilezas da violência racial e de gênero. Sua obra icônica, Parede da Memória, utiliza o arquivo familiar para nos forçar a encarar o passado escravocrata que ainda molda o presente, transformando a arte em um poderoso instrumento de consciência social.Com exposições em instituições como o MoMA (Nova York) e a Bienal de Veneza, sua trajetória é marcada pela corajosa reconexão com a memória negra brasileira.

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Lua Cavalcante (1996, São Paulo – SP)

Pertencente ao povo Kixelô Kariri, Lua traz o conceito de “poética da deformidade”. Utilizando a fotografia e a performance, ela transforma o próprio corpo em uma ferramenta de subversão. Ao se autodefinir politicamente como “aleijada”, ela ressignifica o termo e desafia as normas de beleza e funcionalidade que as artes plásticas tradicionalmente exaltaram.
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Rebeca Carapiá(1988, Salvador – BA)
Soteropolitana da Cidade Baixa, Rebeca trabalha na fronteira entre a escultura, a instalação e a linguagem. Ela utiliza materiais como o cobre para criar “cosmologias” que discutem como o território e o racismo ambiental afetam o corpo. Sua pesquisa investiga como a matéria pode dizer o que a palavra muitas vezes não consegue alcançar, criando novas tecnologias ancestrais.

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Ieda Oliveira (1869, Santo Antônio de Jesus – BA)

Com uma carreira sólida que transita por Bienais e residências na Europa e Ásia, Ieda Oliveira é mestre em transformar objetos e espaços em lugares de reflexão. Sua formação na Escola de Belas Artes da UFBA sustenta uma produção que, embora internacional, carrega a força da visualidade e da identidade baiana em cada instalação.
Dani Pimentel (2003, Região da Transcametá/Tucuruí – PA)
Representante da comunidade quilombola de Joana Peres, no Pará, Dani utiliza cores vibrantes para combater a invisibilidade. Suas pinturas retratam majoritariamente mulheres negras, funcionando como um manifesto visual que recusa a objetificação e celebra a ancestralidade africana. É a arte servindo como resgate histórico e celebração da identidade.

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Elenir Teixeira (1937 Mococa- SP)

Com uma trajetória de mais de 60 exposições, Elenir representa a solidez e a continuidade da arte brasileira. Tendo sido aluna de ícones como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, ela transporta o legado do modernismo para a contemporaneidade. Com quase 90 anos de vida, sua produção em escultura e gravura é um testemunho de como a arte plástica é uma carreira de constante renovação.
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Neste 8 de maio, celebramos essas e tantas outras artistas que provam que a arte plástica é, acima de tudo, um território de disputa de narrativa, onde o invisível ganha forma e o silêncio se transforma em manifesto.















