Caso Ágatha e Allan: o que fazer quando alguém desaparece?
Saiba como proceder em caso de desaparecimento de familiar ou conhecido; fazer um boletim de ocorrência é essencial
Por Beatriz de Oliveira
27|01|2026
Alterado em 27|01|2026
Cotidianamente, mães, pais e demais familiares sofrem com a ausência de crianças desaparecidas. O Brasil registrou mais de 90 mil casos de desaparecimento de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos entre 2021 e abril de 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Entre os milhares de casos, está o dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4. Não são vistos desde o dia 4 de janeiro, quando saíram para brincar em uma área de mata na região do Quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA). O primo deles, Anderson Kauan, estava junto, mas foi encontrado três dias após o sumiço.
As buscas pelas crianças seguem acontecendo, sob a condução da Polícia Civil do Maranhão. Passados mais de 20 dias dos desaparecimentos, a investigação está concentrada na mata e na margem do Rio Mearim, onde cães farejadores sentiram o cheiro das crianças.
Neste texto, reunimos informações sobre como proceder em caso de desaparecimento de um familiar ou conhecido. Confira.
Boletim de ocorrência é o primeiro passo
Apesar do que muitos acreditam, não é necessário esperar 24 horas para registrar um desaparecimento. Assim que constatar o sumiço de um familiar ou amigo a orientação é fazer um boletim de ocorrência, seja de forma online ou indo até a delegacia. Nesse momento, é necessário dar o máximo de informações que possam colaborar com a investigação, tais como:
Características físicas do desaparecido (idade, altura, peso, cor da pele, dos olhos, cabelos etc.);
Outras especificidades, como cicatrizes, marcas de nascença, tatuagens e piercings;
Roupas e pertences usados na última vez em que a pessoa foi vista;
Doenças físicas ou mentais, hábitos pessoais e estado emocional recente;
Último lugar em que a pessoa foi vista;
Dados do aparelho celular;
Contexto em que ocorreu o desaparecimento.
O boletim de ocorrência poderá ser feito em qualquer delegacia, mas há algumas que são especializadas no assunto, como a 5ª Delegacia de Investigação de Pessoas Desaparecidas, no centro de São Paulo (SP).
A partir disso, a apuração deve ser feita pela Polícia Civil, sendo instaurado um Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID). Feito o boletim, os dados das pessoas são automaticamente integrados ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD). O site dispõe de fotos e informações sobre os desaparecidos e disponibiliza os contatos que se deve ligar caso tenha visto algum deles.
190 e serviços complementares
Depois disso, é recomendado ligar para o 190 da Polícia Militar, que também pode auxiliar nas buscas. Outra possibilidade é procurar pela pessoa em hospitais e prontos-socorros, bem como no Instituto Médico Legal (IML).
O próximo passo é fazer um cadastro no Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Ministério Público do seu estado. No caso de São Paulo, por exemplo, é preciso preencher esse formulário e encaminhar uma foto da pessoa desaparecida para cadastrodesaparecido@mpsp.mp.br, com o nome da pessoa como assunto do e-mail. Fotos das pessoas desaparecidas também são publicadas nas redes sociais do programa. Esse trabalho não substitui a apuração realizada pela Polícia Civil e deve ser procurado de forma complementar.
Familiares de desaparecidos podem buscar auxílio da defensoria pública para registrar um desaparecimento caso enfrentem dificuldades, bem como para acompanhar as investigações e para obter assistência jurídica.
Na cidade de São Paulo (SP), também é possível procurar o movimento Mães da Sé, que auxilia na busca por desaparecidos. Basta preencher um formulário no site da organização. Além disso, nas redes sociais são publicadas fotos de pessoas desaparecidas.
Vale ainda ficar atenta à Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. A ação orienta que familiares de primeiro grau — pais, mães, filhos e irmãos — se dirijam aos postos de coleta para dar amostras de saliva ou de sangue. Os DNAs são inseridos nos bancos estaduais e nacional de perfis genéticos para cruzamento com dados de pessoas desaparecidas. A última edição foi realizada entre os dias 5 e 15 de agosto de 2025.
Como prevenir o desaparecimento de crianças?
Todos os anos, milhares de crianças desaparecem no Brasil. O documento “O que fazer quando alguém desaparece”, do governo federal, reúne algumas orientações recomendadas para prevenir o desaparecimento delas. Veja as dicas:
Tenha muita atenção em grandes eventos ou multidões, nunca perca a criança de vista e, se possível, segure sua mão;
Sempre marque pontos de encontro em locais públicos;
Oriente as crianças a memorizarem seu nome completo e os nomes dos pais, endereço e números de telefone importantes;
Esteja atento ao uso da internet e redes sociais por crianças;
Tire desde cedo a documentação pessoal da criança, como RG ou CPF.