Bienal do Livro Bahia 2026: uma viagem na trilha do conhecimento e da ancestralidade

Confira uma curadoria de 7 autoras essenciais para ler o Brasil através de lentes decoloniais

Por Eufrasia Neres

15|04|2026

Alterado em 08|05|2026

Quando a Bienal do Livro Bahia se aproxima, Salvador se transforma. Para quem ama a literatura, este é um momento verdadeiramente mágico: é o convite para embarcar em uma trilha de conhecimento onde cada página é uma nova rota. É o instante de mergulhar tanto em histórias fantasiosas, que nos permitem fugir do cotidiano, quanto em obras potentes que nos despertam para refletir sobre nossa própria existência.

Nesta edição, com o tema “Bahia – Identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo”, o evento nos convoca a olhar para nossas questões sob uma perspectiva decolonial. A programação, assinada por uma curadoria 100% baiana, privilegia vozes que por muito tempo foram silenciadas, trazendo para o centro do debate a sabedoria dos terreiros, a força dos povos originários e a vivência das mulheres negras e de pessoas com deficiência.

Mas a Bienal é feita também de pequenos rituais sensoriais que só quem é apaixonado por livros compreende. É o prazer de sentir o cheirinho de livro novo ao percorrer os estandes e a emoção palpável de estar frente a frente com autores que admiramos. A magia se completa no momento do autógrafo, quando aquela obra deixa de ser apenas um objeto para se tornar uma memória afetiva compartilhada com quem a escreveu.

De 15 a 21 de abril, o Centro de Convenções de Salvador será o palco desse encontro entre o imaginário e o real. Prepare-se para atualizar sua estante, mas, acima de tudo, para expandir seus horizontes na maior festa literária do Nordeste.

Serviço da Bienal 2026:
Data: 15 a 21 de abril de 2026.
Local: Centro de Convenções Salvador (Boca do Rio).
Ingressos: R$ 33 (inteira) e R$ 16,50 (meia) — disponíveis no site oficial.
Dica de Ouro: As senhas para autógrafos são gratuitas e devem ser retiradas de forma online no site oficial, logo após cada mesa de debate. Fique atento para não perder a chance de eternizar seu exemplar!

Curadoria especial do “Nós” para a Bienal Bahia

A equipe do Nós, Mulheres da Periferia mergulhou na vasta programação da Bienal para preparar uma curadoria exclusiva. Sabemos que com tantos nomes potentes, é fácil se perder. Por isso, selecionamos 7 autoras essenciais que trazem a diversidade de vozes e o pensamento decolonial para o centro do debate. Estas são as escritoras que você não pode perder nesta edição:


Curadoria especial do “Nós” para a Bienal Bahia

A equipe do Nós, Mulheres da Periferia mergulhou na vasta programação da Bienal para preparar uma curadoria exclusiva. Sabemos que com tantos nomes potentes, é fácil se perder. Por isso, selecionamos 7 autoras essenciais que trazem a diversidade de vozes e o pensamento decolonial para o centro do debate. Estas são as escritoras que você não pode perder nesta edição:

Sobre a autora: Carioca radicada em Belo Horizonte (MG), é Doutora em Letras/Literatura Comparada Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com pós-doutorados pela Universidade de Nova Iorque (NYU) e Universidade Federal Fluminense (UFF). Professora Emérita da UFMG, poeta, dramaturga, congadeira e reinadeira, Leda é a mente por trás de conceitos fundamentais como “oralitura”, “tempo espiralar”, “encruzilhada” e “corpo-tela”, tão utilizados nas discussões do pensamento afrodiaspórico.

Livro Destaque: A Fina Lâmina da Palavra
Por que ler: Lançado em novembro de 2025 pela Editora Cobogó, a obra reúne ensaios da autora, que analisa a obra de nomes como Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Sonia Gomes e Jota Mombaça. É um convite para entender que o tempo não é uma linha reta, mas um ciclo onde o passado e o presente se encontram no corpo e na escrita, preservando que é sagrado.

Livro de Destaque

2. Bárbara Carine

Sobre a autora: Soteropolitana, é Doutora em Ensino, Filosofia e História das Ciências pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Vencedora do Jabuti 2024 e idealizadora da Escola Maria Felipa, Bárbara é uma das maiores referências do país em educação decolonial e antirracista. Sua fala na Arena Farol deve ser uma das mais disputadas.

Livro Destaque: Raça Social: uma leitura sobre a racialidade brasileira
Por que ler: Publicado pela Editora Planeta em 2026, a autora aprofunda o debate sobre identidade racial e critica o movimento “NeoPardo”. É um convite à luta pela justiça racial a partir do acúmulo histórico e político dos movimentos negros organizados.

3. Yacunã Tuxá

Sobre a autora: Poeta, ativista e artista visual do povo Tuxá (Rodelas/BA), Yacunã representa a força da juventude indígena da Bahia. Seu trabalho une ilustrações potentes a textos que reivindicam a existência e a resistência dos corpos indígenas, especialmente das mulheres.

Livro Destaque: Da tua boca saem as palavras sementes
Por que ler: Contrariando a lógica da colonização, este livro ( lançado pela Editora Urutau em 2025) afirma o direito ao prazer, à alegria e ao encontro. Com poemas gentis que convidam à dança, a obra é um lugar de acolhimento para mulheres que amam mulheres e um chamado para reconhecer que o rio fala e a terra tem memória. É uma leitura de coletividade, onde os avós são rios e as árvores são irmãs.

4. Carla Akotirene

Sobre a autora: Soteropolitana, é Doutora em Estudos Feministas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Assistente social, pesquisadora e idealizadora do Opará Saberes, Carla é uma das principais vozes intelectuais negras do Brasil contemporâneo. Suas falas no Café Literário sobre interseccionalidade e segurança pública trazem o rigor acadêmico para o debate político.

Livro Destaque: É fragrante fojado dôtor vossa excelência
Por que ler: Lançado pela Editora Civilização Brasileira em 2024, o livro é fruto da sua tese de doutorado. A obra expõe a institucionalização do racismo e a perseguição punitivista direcionada à população negra através de uma análise crítica das audiências de custódia no Brasil. Como explica a própria autora, o livro disseca a ritualística jurídica para entender a legalidade da prisão e como o sistema muitas vezes falha com os corpos negros.

5. Amanda Soares

Sobre a autora: Soteropolitana, Amanda Soares é comunicadora, escritora e pesquisadora. Mestranda em Literatura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), é especialista em Liter Def (literatura produzida por e para pessoas com deficiência) e uma voz ativa na democratização do acesso, atuando inclusive no quadro “Falas de Acesso” da TV Globo.

Livro Destaque: Onde Salvador Floresce (Coletânea de contos, organizada por Anderson Shon)
Por que ler: Lançado de forma independente (Amazon KDP, 2025/2026) e apresentado na 3ª edição do evento beneficente Amor de Primeira, este livro reúne nove escritores e ilustradores para narrar uma Salvador que pulsa além dos cartões-postais. No seu conto, Amanda resgata as memórias da Lapinha, bairro onde cresceu. É uma obra realizada em parceria com a Fundação Pedro Calmon e a FLICA, que celebra o pertencimento e a cultura democrática, com toda a renda do e-book revertida para fins filantrópicos.


Esta indicação tem duas capas: uma é a principal, no detalhe da imagem, da coletânea Onde Salvador Floresce. E a outra é a capa exclusiva do conto de Amanda Soares. Por ser uma obra coletiva que celebra os bairros de Salvador, cada narrativa ganha sua própria identidade visual, unindo escritores e ilustradores em um projeto artístico único.


6. Lucineide S. Vieira

Sobre a autora: Baiana, Lucineide S.Vieira (Lucyy Vieira) é mestre em Educação e Contemporaneidade pela UNEB e licenciada em História pela UFBA. Especialista em História da África e Cultura Afro-Brasileira, é professora da rede estadual, pesquisadora, ativista e membro do Coletivo de Escritoras Leia Bahia.

Livro Destaque: Maria Felipa, a heroína negra: entre silenciamentos e resistências
Por que ler: Lançado pela Editora Revista África e Africanidades em 2024, este livro é fruto de uma pesquisa de fôlego iniciada no mestrado. A obra investiga como a história de Maria Felipa – liderança decisiva na Guerra da Independência na Bahia – foi silenciada nos livros didáticos e na narrativa oficial, sendo preservada apenas pela memória popular. É um gesto político e pedagógico essencial para entender quem foi essa marisqueira e por que tentaram apagar o seu protagonismo negro da história do Brasil.

7. Vanda Machado

Sobre a autora: Natural de São Felipe, no Recôncavo Baiano, Vanda Machado é Doutora em Educação pela UFBA e Professora Colaboradora da UFRB. Ebomi do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, é a idealizadora do projeto Irê Ayó, sendo uma das maiores autoridades do país em educação antirracista e valores civilizatórios de matriz africana.

Livro Destaque: Irê Ayó: uma epistemologia afro-brasileira
Por que ler: Lançado pela Editora Edufba em 2019, este livro é uma obra fundamental que articula o conhecimento ancestral com as políticas da Lei nº 10.639/2003. Ao destacar a lógica diaspórica em contraposição à colonização, a autora demonstra como a educação pode ser uma organização viva, conectando o aprendizado das crianças às noções de cosmovisão e aos fenômenos do Aiyê e do Orun. É um guia sobre como a pertença e a ancestralidade podem transformar o currículo escolar.

Do Recôncavo à Salvador, a Bienal do Livro Bahia 2026 ecoa vozes que pautam o tempo espiralar e a resistência negra e indígena.