Alimentação saudável: três iniciativas para melhorar a rotina alimentar
Aplicativo e guias são aliados na construção de uma rotina alimentar que privilegie alimentos in natura e com poucos ultraprocessados
Por Beatriz de Oliveira
26|02|2026
Alterado em 26|02|2026
Na correria do dia a dia, se alimentar bem pode não ser uma tarefa simples. Afinal, ao fim de um dia cansativo de trabalho, é mais fácil preparar um macarrão instantâneo do que um prato com arroz, feijão, carne e salada.
Segundo a pesquisa Olhe para a Fome, 65% dos lares comandados por pessoas pretas e pardas convivem com restrição de alimentos, enquanto o aumento do consumo de ultraprocessados, nos últimos dez anos, foi mais expressivo entre a população negra, indígena e moradoras da área rural e das regiões Norte e Nordeste.
Buscar uma alimentação saudável, dentro do possível para sua realidade, significa zelar pela sua saúde e bem estar de quem se senta à mesa com você. Nesse sentido, existem materiais e iniciativas que podem se tornar aliadas na realização desse compromisso.
Desrotulando
O aplicativo Desrotulando é uma boa ferramenta no momento das compras no supermercado. Ao escanear o código de barras pelo celular, é possível ver a nota do produto, mostrando o quanto ele é – ou não – saudável. Ele mostra, por exemplo, a presença de aditivos, gorduras saturadas e proteínas.
A plataforma também disponibiliza opções mais saudáveis de um determinado produto, para isso basta digitar o nome na aba de pesquisa. A análise é feita por uma equipe de nutricionistas que classifica os rótulos (ingredientes e tabela nutricional) de dezenas de alimentos industrializados.
Além disso, no Instagram da iniciativa há uma série de conteúdos explicativos sobre alimentos e seus rótulos.
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Guia alimentar para a população brasileira
Com 158 páginas, a segunda edição do “Guia alimentar para a população brasileira” (2014) aborda os princípios e as recomendações de uma alimentação adequada e saudável. Ao fim do livro, há um resumo das orientações, com “Dez Passos para uma Alimentação Adequada e Saudável”.
O guia explica como proceder em relação ao consumo de alimentos in natura; óleos, gorduras, sal e açúcar; alimentos processados, e ultraprocessados. Pontua também sobre como combinar alimentos na forma de refeições e ressalta a importância de se alimentar em local adequado e com companhia.
Alimentos in natura são aqueles que temos acesso diretamente da natureza, como folhas, raízes, frutas, grãos e ovos. Ao passo que alimentos processados são aqueles modificados por processos industriais simples, com adição de algumas substâncias, como sal, açúcar ou gordura; é o caso de pães artesanais e queijos. Já os ultraprocessados são os alimentos criados por meio de formulações de substâncias exclusivamente de uso industrial.
“Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. Ou seja: opte por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados; não troque comida feita na hora (caldos, sopas, saladas, arroz e feijão, macarronada, refogados de legumes e verduras) por produtos que dispensam preparação culinária (sopas “de pacote”, macarrão “instantâneo”, pratos congelados prontos para aquecer, sanduíches, frios e embutidos)”, aponta um trecho.
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Prato Firmeza – Campo&Cidade
Criado pela organização Énois, o Prato Firmeza é uma iniciativa de guias gastronômicos das periferias brasileiras. Em 2023, foi lançada a edição Prato Firmeza – Campo&Cidade, que se propõe a ser um “manifesto político em defesa da alimentação saudável como um direito humano fundamental e da agricultura familiar e camponesa como a principal responsável pela produção desses alimentos”.
Em 191 páginas, o documento reúne indicações de restaurantes periféricos com comidas saudáveis em todas as regiões do país. Além disso, traça o “caminho” feito pelos ingredientes usados pelos cozinheiros até chegar ao prato da consumidora.
“Mais do que quarenta bons locais para comer nas quebradas de todo o Brasil, chegamos a quarenta lindas histórias, de pessoas que cozinham e produzem alimentos valorizando a própria cultura alimentar e sua ancestralidade”, lê-se em um trecho.
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